segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Íntimos desconhecidos

Escrevo a ti essa noite as palavras mais sinceras que me vêm à cabeça, exatas e irremediáveis. Não acho que temos que insistir em um erro que tardei a notar...
Nas outras notas que te escrevi, deixei um pouco de afeto. No entanto hoje deixo somente a sua interpretação, pra que faça verdade cada linha e concorde(ou discorde).
Gostei de alguém que oscila em idas e vindas, que me prendeu a um sentimento que nem sequer existiu. Guarde-me em algum lugar do seu coração, ou até mesmo na memória, vamos parar com essa insistência obsoleta de cuidar desse amor. Que amor?
Você vai bem sem mim, e eu não desando longe de ti... Porque acabou. Se por algum acaso nos esbarramos em alguma esquina, talvez eu olhe bem dentro dos seus olhos e você nesse momento seja capaz de ler no meu olhar o questionamento formal entre dois estranhos. Pode ser que você passe por mim e não nos notemos, até que você sinta meu perfume e de leve sua lembrança é resgatada de algum lugar no inconsciente, caso busque a explicação para tal fato, eu certamente estarei virando a esquina ou com a confusão de pessoas na rua eu me perca em meio a elas. Mas aí seus olhos não vão me encontrar! E se já nem sinto sua presença, o que me leva a crer que você ainda exista? O esquecimento está em nós.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Nas entrelinhas

O passo rumo à frente até vem, mas a sensação é de volta... De planejada volta. As oportunidades vão surgindo, o problema está que a cada conquista vem também um fracasso. Ela sorri, mas os músculos da face não ficam acomodados num longo sorriso e logo voltam a sua forma natural. Por mais que faça, o vazio é o mesmo. É capaz de passar horas adentrando lembranças de um passado que para ela, não passou... Ao mergulhar profundamente naquilo que um dia fez parte da sua vida, se esquece do que é real. Por isso deixa as lágrimas caírem sem querer secá-las, todas as vezes em que chora é porque de alguma forma algo a trouxe de volta para o presente, e acordar nem sempre é bom...
Com o despertar o quarto se torna mais vazio, a mão fica mais leve por não sentir mais o peso de segurar outra mão, os olhos perdem o ponto no qual costumavam se encontrar com o brilho de outro olhar, os sinais de presença se perdem por aí e dão lugar ao cessar do toque de mensagem, da música bonita na ligação.
Odeia tudo por um segundo, depois já nem sabe mais o que sentir sobre as surpresas que chegam a ela de modo impiedoso. Odeia quando alguém diz que acabou, porque não sabe lidar muito bem com a perda. Não é boa ao redigir finais, sempre tem medo de que o fim não seja condizente com a história que se desenrolou nas linhas acima, tem medo de não ser nem mesmo o que ela espera de um desfecho.
Cansou-se de insistir na falsa teoria de que o tempo cura, mas o fato é que tem perdido tempo e sabe disso, mas nem mesmo consciente consegue deixar tudo, deixá-lo. É sempre o mesmo problema, o mesmo verbo ‘gostar’ com o mesmo complemento.
É no medo de perder de verdade (sem saber que provavelmente já perdeu) que a faz guardar dentro de si cada risada, cada beijo, cada palavra e momento compartilhado por eles, é tudo valioso demais. Guarda porque precisa, porque é parte dela e ninguém vive se desfragmentando. Não há como tirá-la disso, pois é ela em carne e osso que se tornou a própria história, deixou tão dentro de si que se esqueceu de dizer aos outros que ao perder... Perde-se.
Inventou que o passado era melhor e que nem tem mesmo razões para estar aqui, desdenha da objetividade ao dizer longas frases para justificar seus próprios sentimentos... Mas uns chamam isso de saudade.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Distância e indiferença.

Quando a única opção que resta é deixar, quando as lágrimas demoram um pouco mais do que o habitual para se tornarem sorrisos... Quando você deixa a si mesmo como se estivesse pesado demais para seu próprio corpo. A que ponto esse afeto nos afetou? Perdi, perdemos, perdeu: respectivamente eu, nós e você. Falta o braço com o abraço, o riso com o sorriso, falta e só.
Tudo sempre errado, de alguma forma sempre será assim enquanto insistir em viver uma história completamente às avessas porque errei, erramos, errou e ninguém consegue reparar erros alheios. E o abismo só aumenta, já nem consigo mais enxergar teus sinais do outro lado, nem sei se tem acenado pra mim... Talvez tenha se cansado, afinal, é natural desistir quando não há muito o que se fazer. Estranho é que ainda estou aqui, que ainda grito pelo seu nome, que estendo os braços todas as vezes em que tento dizer "ainda não desisti disso. De nós". Ou quem sabe foi melhor pra você dar as costas para tudo, pois por mais frio que aparenta ser provavelmente deve doer destruir um sentimento com as próprias mãos.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Um quase adeus.

Escolhi a mudança, em meio a tantas escolhas e abandonos, escolhi a mim e desisti de conjugar tudo na primeira pessoa do plural. As desistências aos poucos se manifestaram, sumiu aquela vontade de reconstruir(sozinha), de demonstrar, até mesmo a vontade de gostar se perdeu por aí... Quem sabe com esse sumiço eu aprenda, enfim, a não mais gostar. Cheguei a acreditar que decepção nenhuma seria capaz de acabar com tudo isso, antes de sentir um gosto amargo na boca e um arrependimento tardio de ter deixado com que as coisas tomassem um rumo diferente, antes de descobrir que tudo que pensei que fosse certo, agora se faz errado demais.
Sinceramente já não faz mais sentido procurar erros nem inventar mentiras, perder tempo com a dispensável mania de jogar a culpa no outro é besteira porque afinal, que diferença isso faz? Não muda. E tudo que não muda não merece todo esse desgaste.