segunda-feira, 20 de abril de 2009

Tudo aquilo, nada disso.

Foi preciso perder de verdade para saber que é melhor assim do que ter pela metade, não sou de emoções medianas nem tampouco gosto de coisas mornas e contidas. Pode gritar aos quatro ventos que o problema é realmente em mim, no meu turbilhão de sentimentos, culpe-me o quanto quiser uma hora você cansa... Assim como eu cansei.
Cansei de abrir os olhos para o mundo toda manhã e ver o mesmo mural com recados, com rotina. Cansei de olhar por entre as cortinas por acaso, imaginando que por um grande acaso você poderia surgir virando a esquina, ou pra ser mais pretensiosa, no olho mágico do meu apartamento. Cansei de descascar o esmalte imaginando qual seu próximo passo, ou que maneira insensível vai arrumar só para me machucar. Cansei de ler mensagens, é difícil acreditar nelas e nas palavras um dia ditas diante de tanto descaso e arrogância. Cansei de tentar, ainda que silenciosa, te persuadir que nada que faço é por mal, cansei do ceticismo, do ‘fingir não se importar’, das palavras inexpressivas e atitudes vazias. E que vazio!
Enquanto uma lacuna se abre dentro de mim, um caminho se manifesta... Dessa vez é diferente, eu sei exatamente o que fazer. Até perder o próprio vazio é estranho, até aceitar seguir sozinha parece inusitado, a força que tardou a aparecer chega a ser interessante, ainda que assustadora. É tudo muito além do que poderia imaginar, é a tal força vital que um dia li em uns versos, chegou a minha vez de segui-la de me deixar levar por essa vontade indescritível de simplesmente deixar, deixar de verdade, sem ao menos dar explicações do porquê estou deixando, porque olhar para trás é um jeito ingênuo de não seguir em frente efetivamente. Chega de fazer tanto por alguém que se submete a equívocos e julgamentos, que não é capaz de desfazer seu arsenal de defesa e ataque nem por um momento.
Tentei, tentei, tentei sempre... Mas não há mais o que tentar, foi só tempo perdido, palavras jogadas no vento e um coração cansado, desgastado.
Enfim, com todas essas linhas e enrolações tudo o que eu quero mesmo dizer é adeus, sem mais vírgulas ou qualquer outra pausa. Aprecie, pois essa parte da história eu chamo de fim.

domingo, 5 de abril de 2009

you can't play on broken strings

É como se quanto mais piorasse toda aquela situação, mais distante e indiferente tudo ficava, um pouco menos inconsequente do que no início, quisera ser mudança, mas se tratava de uma simples proteção. Contra tudo, ou contra o nada que nunca fora uma forma de consolo.
Se os dias passam lá fora, pouco importa se o calendário nos apressa, se a hora nos carrega e se os minutos nos assolam... porque durante esse árduo trajeto que temos percorrido, destruímos coisas pelo caminho, perdemos a noção de que tudo era muito valioso, muito para ser deixado de lado.
Vez ou outra me preocupei em recolher o que foi se perdendo, até tentei juntar o que se partiu colocando cola, mas o material era diferente e não colou, o que me prende a você não é o mesmo que te une a mim. Aos poucos me tornei adepta à sua indiferença.
E assim seguimos por um longo tempo, relativamente longo se levado em conta o sentimento, você seguiu o que lhe convinha, e eu prossegui da forma que eu considerava certa, ainda preocupada em não perder a razão... Sem saber que ela nunca estivera tão longe de mim.
Você sempre teve seus recursos para se manter afastado de mim, eu sempre tive meu esforço para deixar com que isso acontecesse diante dos meus olhos... Apática a um erro, a um desengano. E fui deixando... Te deixando, nos deixando.
E o destino fez-se peculiar ao causar encontros casuais, que não sairam como os planos de ambos ao longo de meses, tampouco fomos fiéis às nossas promessas, desfocamos do objetivo, desviamos as trilhas e nos encontramos em um determinado ponto do caminho. Dessa vez, por um motivo até então desconhecido, cessamos o 'impossível', e por uma, duas, três ou até mais vezes nos permitimos, errados aos olhos dos outros, confusos aos nossos olhos.
Não há como prever um abismo ou outro desvio de trilhas, mas certamente doerá menos, seja pela falta do que perdemos no início ou por amadurecimento, não faz sentido brincar com laços rompidos e poderá demorar um pouco para atá-los novamente.
E que graça tem brincar com corações partidos? Dá muito trabalho recolher os pedacinhos que se espalham pelo chão.