Foi preciso perder de verdade para saber que é melhor assim do que ter pela metade, não sou de emoções medianas nem tampouco gosto de coisas mornas e contidas. Pode gritar aos quatro ventos que o problema é realmente em mim, no meu turbilhão de sentimentos, culpe-me o quanto quiser uma hora você cansa... Assim como eu cansei.
Cansei de abrir os olhos para o mundo toda manhã e ver o mesmo mural com recados, com rotina. Cansei de olhar por entre as cortinas por acaso, imaginando que por um grande acaso você poderia surgir virando a esquina, ou pra ser mais pretensiosa, no olho mágico do meu apartamento. Cansei de descascar o esmalte imaginando qual seu próximo passo, ou que maneira insensível vai arrumar só para me machucar. Cansei de ler mensagens, é difícil acreditar nelas e nas palavras um dia ditas diante de tanto descaso e arrogância. Cansei de tentar, ainda que silenciosa, te persuadir que nada que faço é por mal, cansei do ceticismo, do ‘fingir não se importar’, das palavras inexpressivas e atitudes vazias. E que vazio!
Enquanto uma lacuna se abre dentro de mim, um caminho se manifesta... Dessa vez é diferente, eu sei exatamente o que fazer. Até perder o próprio vazio é estranho, até aceitar seguir sozinha parece inusitado, a força que tardou a aparecer chega a ser interessante, ainda que assustadora. É tudo muito além do que poderia imaginar, é a tal força vital que um dia li em uns versos, chegou a minha vez de segui-la de me deixar levar por essa vontade indescritível de simplesmente deixar, deixar de verdade, sem ao menos dar explicações do porquê estou deixando, porque olhar para trás é um jeito ingênuo de não seguir em frente efetivamente. Chega de fazer tanto por alguém que se submete a equívocos e julgamentos, que não é capaz de desfazer seu arsenal de defesa e ataque nem por um momento.
Tentei, tentei, tentei sempre... Mas não há mais o que tentar, foi só tempo perdido, palavras jogadas no vento e um coração cansado, desgastado.
Enfim, com todas essas linhas e enrolações tudo o que eu quero mesmo dizer é adeus, sem mais vírgulas ou qualquer outra pausa. Aprecie, pois essa parte da história eu chamo de fim.
Quando o mundo para
Há 11 anos
