sábado, 14 de março de 2009

Cristais na alma

Era uma vez uma menina brilhante. No sentido denotativo da palavra. Ela tinha uma luz própria.
Conheceu um menino que perdera sua luz há muito tempo e se aproximou dela. Instantaneamente ela se apaixonou por ele, desde então passou a compartilhar seu brilho... Começou cedendo-lhe um pouco, quando se deu conta já havia transferido mais do que a metade. Dividiu porque acreditou, com inocência, que jamais se separariam, logo, a intensidade refletida por ambos seria a mesma.
Em um dia como outro qualquer, o que era eterno dissipou-se... Ele se fora da sua vida de forma impiedosa, mas propositalmente esqueceu-se de devolver o brilho à menina brilhante.
Lá estava ela, com pouca luz irradiada ao seu redor, o que ele lhe roubara não fora simplesmente a vaidade, mas um pedaço da alma.
Com o passar do tempo, aprendeu a se esforçar para recuperar o que considerava precioso, não se importava de vê-lo fazendo uso do que lhe pertencia, porque não era capaz de sentir ódio... Mas era incapaz de perdoar verdadeiramente aquele que subtraiu sua melhor parte.

sábado, 7 de março de 2009

When you love someone, but it goes to waste

Não sabia se realmente sentira falta, tampouco tinha as palavras certas para nomear aquele sentimento. As frases são mais bonitas quando ditas de forma intensa, mas já não era mais assim... Nem pra ela, muito menos pra ele. Talvez nunca fora.
Mas o que era certo, disperso nas incertezas, era que o tempo havia passado e a distância agira de forma eficaz, agiu com toda a magnitude do verbete ‘fim’. Ainda que houvesse um ponto, a continuação vez ou outra se manifestava, e a cada recomeço os reflexos do insucesso já refletiam nos olhos que, inocentemente, queriam que fosse o contrário.
Um caminho totalmente oposto ao outro, o amor nem era tão grande para fazê-los ceder e seguirem juntos. E que diferença faria? Se nada era sólido o suficiente para se tornar base, reforço.
As metades que antes eram complementares, já nem se encaixam mais direito! Um sumiu com a parte do outro, no meio a tantos desencontros era impossível que tudo ainda estivesse inteiro.
Não sabia que rumo havia tomado aquelas promessas e juras, deviam estar por aí, vestidas de afeto ou indiferença... Afinal, nada se perde, tudo simplesmente se transforma.