O passo rumo à frente até vem, mas a sensação é de volta... De planejada volta. As oportunidades vão surgindo, o problema está que a cada conquista vem também um fracasso. Ela sorri, mas os músculos da face não ficam acomodados num longo sorriso e logo voltam a sua forma natural. Por mais que faça, o vazio é o mesmo. É capaz de passar horas adentrando lembranças de um passado que para ela, não passou... Ao mergulhar profundamente naquilo que um dia fez parte da sua vida, se esquece do que é real. Por isso deixa as lágrimas caírem sem querer secá-las, todas as vezes em que chora é porque de alguma forma algo a trouxe de volta para o presente, e acordar nem sempre é bom...
Com o despertar o quarto se torna mais vazio, a mão fica mais leve por não sentir mais o peso de segurar outra mão, os olhos perdem o ponto no qual costumavam se encontrar com o brilho de outro olhar, os sinais de presença se perdem por aí e dão lugar ao cessar do toque de mensagem, da música bonita na ligação.
Odeia tudo por um segundo, depois já nem sabe mais o que sentir sobre as surpresas que chegam a ela de modo impiedoso. Odeia quando alguém diz que acabou, porque não sabe lidar muito bem com a perda. Não é boa ao redigir finais, sempre tem medo de que o fim não seja condizente com a história que se desenrolou nas linhas acima, tem medo de não ser nem mesmo o que ela espera de um desfecho.
Cansou-se de insistir na falsa teoria de que o tempo cura, mas o fato é que tem perdido tempo e sabe disso, mas nem mesmo consciente consegue deixar tudo, deixá-lo. É sempre o mesmo problema, o mesmo verbo ‘gostar’ com o mesmo complemento.
É no medo de perder de verdade (sem saber que provavelmente já perdeu) que a faz guardar dentro de si cada risada, cada beijo, cada palavra e momento compartilhado por eles, é tudo valioso demais. Guarda porque precisa, porque é parte dela e ninguém vive se desfragmentando. Não há como tirá-la disso, pois é ela em carne e osso que se tornou a própria história, deixou tão dentro de si que se esqueceu de dizer aos outros que ao perder... Perde-se.
Inventou que o passado era melhor e que nem tem mesmo razões para estar aqui, desdenha da objetividade ao dizer longas frases para justificar seus próprios sentimentos... Mas uns chamam isso de saudade.
Quando o mundo para
Há 11 anos

3 comentários:
e alguns a chamam de saudade!! cabo cabo!! kskskssskks te adoroo... vou sentir muito a sua falta...
LINDOOOOOOOOO !
achei esse final maravilhoso!
assim te admiro, fazendo dos finais algo mais forte e corajoso do que eles foram (ou pudessem ser)..
te amo!
e agora... vida nova :)
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